terça-feira, 3 de novembro de 2009

Foco Narrativo ou Ponto de Vista do Narrador

Foco Narrativo ou Ponto de Vista do Narrador, constitui-se o «ângulo visual» pelo qual serão narrados os acontecimentos de um conto, novela ou romance. É um elemento de especial importância na estrutura de uma narrativa, porque responde à pergunta: Quem conta a história?

Os críticos norte-americanos, Cleanth Brooks e Robert Pen, estabeleceram um quadro sinótico formado por quatro focos narrativos:

1. A personagem principal conta sua história - foco narrativo na primeira pessoa ou interno.

2. Uma personagem secundária conta a história da personagem central - foco narrativo na primeira pessoa ou interno.

3. O Narrador conta a história como observador - foco narrativo na terceira pessoa ou externo.

4. O escritor, analítico ou onisciente (sabedor de tudo), no papel de narrador, conta a história - foco narrativo na terceira pessoa.

Veremos, a seguir, que cada um desses focos trará vantagens e desvantagens ao ficcionista, pois irão favorecer ou limitar seu ângulo visual em ralação ao panorama da história. O escritor terá de optar por um deles. E se sua opção se ajustar à história a ser narrada, é o quanto basta pare ele, ficcionista, e para nós leitores.

a) O Foco Narrativo Será Interno ou na Primeira Pessoa (do singular: eu), se o narrador participa dos acontecimentos da história. É, portanto, um narrador com dupla função, ou seja: é «narrador e personagem» ao mesmo tempo. No geral, ele será protagonista; visto que, como personagem secundário (que conta a história do protagonista), raramente é usado. Sendo protagonista, o narrador recebe melhor destaque. No entanto, a área da narrativa fica circunscrita exclusivamente ao narrador, isto é, um tanto limitada, pois, se trata de sua história.

No trecho abaixo, extraído do conto Missa do Galo, de Machado de Assis, temos um bom exemplo do foco narrativo interno:

“Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir (...).”

Neste parágrafo de abertura do conto, já é possível identificar o foco narrativo que fica evidente pela flexão dos verbos: pude, tive, contava. Além disso, o parágrafo nos permite, também, concluir que o narrador é o protagonista do conto. Temos, portanto, um narrador que nos conta sua história.

Nas narrações em primeira pessoa, o narrador protagonista tem uma visão própria, individual dos fatos. O que implica em uma visão muito reduzida das coisas, porque ele se vê impossibilitado de dispensar às demais personagens a mesma atenção que dispensa a si próprio. A principal característica desse foco narrativo é, então, a visão subjetiva e limitada que o narrador tem dos fatos.

É o caso da personagem-narrador Bentinho, do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis: Capitu, sua mulher, o traiu? Bentinho acredita que sim. Mas nós leitores, não podemos ter certeza disso, uma vez que o fato nos é narrado pelo marido, que se julga traído. Tudo o que sabemos nos chega filtrado pelos sentimentos do Bentinho, incapaz de analisar os fatos com isenção. Por outro lado, esse ângulo de visão, tem suas vantagens. A história ganha, aos olhos do leitor, maior verossimilhança, devido à narrativa não precisar de intermediário: a personagem e narrador que “viveu” a história conta-a diretamente ao leitor; e dá a este a impressão de ser o exclusivo confidente do caso.

b) O Foco Narrativo Será Externo ou na Terceira Pessoa se o narrador somente observou, testemunhou os acontecimentos. Assim, a narrativa será feita por um narrador-observador. Como, ele agora não simula um indivíduo, vê-se compelido a contar apenas o que observou. Não conhece o pensamento, nem o passado das personagens. Não invade o íntimo da personagem para comentar comportamento dela. Exprime uma visão incompleta porque narra à história como mero expectador; seu relato tende a ser mais imparcial e objetivo. Observe:

“Ninguém ali sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada, os filhos não se pareciam um com os outros. A Das Dores sim afirmavam que fora casada e que largara o marido, para meter-se com um homem do comércio (...)”. (Aluísio de Azevedo, O Cortiço)

Neste fragmento, percebe-se que o narrador-observador desconhece o passado das personagens, baseia-se naquilo que observa e nas afirmações das outras personagens.

Missal e Broquéis, Cruz e Sousa - Simbolismo

Análise da obra

A publicação das obras Missal e Broquéis em 1893, marca o início do Simbolismo no Brasil. Missal e Broquéis só não passaram despercebidas, enquanto obras, por força de uma pequena parte da crítica e de um público ainda mais restrito. O mérito só veio com o tempo e com o reconhecimento da genialidade de seu autor. Cabe lembrar que a poesia brasileira praticamente desconhecia a prosa entre suas publicações, poucos ou quase ninguém havia lido Charles Baudelaire, aliás um dos iniciadores do Simbolismo, o que obrigou a um certo estranhamento quanto a Missal. Mesmo Broquéis recebeu do público e da crítica opiniões divergentes. Foi atacado por José Veríssimo e exaltado por Sílvio Romero, e pareceu chocar os leitores acostumados com a poesia parnasiana, nitidamente dominadora naquele momento.

Os poemas de Cruz e Sousa abandonam o significado explícito e lógico para buscar a ilogicidade e a sugestão vaga, regras, aliás, de fundamental importância para a poética simbolista. A multiplicidade de imagens e de sonoridades gera uma explosão sensorial no leitor, conduzindo-o a um estado de espanto geral e de choque diante do inusitado. As imagens, aparentemente inconciliáveis, múltiplas e repetidas, despertam um psiquismo intenso. Essa fusão de abstrações cria o sensorialismo simbolista e faz brotar a novidade.

Alguns textos comentados de Missal

Os poemas de Missal são escritos em prosa. O Simbolismo ainda é algo latente nessas realizações, não atingindo o grau de musicalidade, plasticidade e sugestão desejados. Por ser ainda a primeira obra de Cruz e Sousa na linha simbolista, não consegue atingir a sublimidade e a alquimia verbal de suas realizações posteriores. Vale mais como registro do que realmente como referência do Simbolismo no Brasil. Mesmo que saibamos da influência da poesia em prosa de Charles Baudelaire sobre Cruz e Sousa, são raros os momentos de genialidade dessa obra, se compararmos com os textos do grande mestre francês. Essas influências são ainda tênues, mais frutos da paixão do que da inspiração irmanada. Falta, sem dúvida, o brilho e os rasgos da impetuosidade baudelairiana a Cruz e Sousa nesses poemas. Essa força só poderá ser melhor admirada, indiscutivelmente, nos versos de Broquéis.

Ainda que não nos caiba julgar os motivos que levaram à adoção de Missal, não nos parece coerente essa decisão dos examinadores que, ao contrário de atrair os jovens leitores. tende a afastá-los ainda mais desse grande poeta que é Cruz e Sousa.

Texto 1 - Oração ao Sol

Sol, rei astral, deus dos sidéreos Azuis, que fazes cantar de luz os prados verdes, cantar as águas! Sol imortal, pagão, que simbolizas a Vida, a Fecundidade! Luminoso sangue original que alimentas o pulmão da Terra, o Seio virgem da Natureza! Lá do alto zimbório catedralesco de onde refulges e triunfas, ouve esta Oração que te consagro neste branco Missal da excelsa Religião da Arte, esmaltado no marfim ebúrneo das iluminuras do Pensamento.

Permite que um instante repouse na calma das Idéias, concentre cultualmente o Espírito, como no recolhido silêncio de igrejas góticas, e deixe lá fora, no rumor do mundo, o tropel infernal dos homens ferozmente rugindo e bramando sob a cerrada metralha acesa das formidandas paixões sangrentas.

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Ó radiante orientalista do firmamento! Supremo artista grego das formas indeléveis e prefulgentes da Luz! pelo exotismo asiático desses deslumbramentos, pelos majestosos cerimoniais da basílica celeste a que tu presides, que esta Oração vá, suba e penetre os etéreos paços esplendorosos e lá para sempre vibre, se eternize através das forças firmes, num som álacre, cantante, de clarim proclamador e guerreiro.

Comentários: Esse longo poema em prosa representa uma espécie de ‘profissão de fé’ dentro da obra de Cruz e Sousa, já que estabelece muitíssimo bem sua intenção simbolista. O mesmo ocorre no poema de abertura de Broquéis, Antífona”. E interessante destacar que essa invocação do sol tem a força de uma oração ou pedido para realizar seus poemas sem a interferência daqueles que detêm o poder sobre o mundo dos homens e das artes. O mesmo ocorre na epígrafe de Baudelaire utilizada em Broquéis.

Texto 2 - Os Cânticos

No templo branco, que os mármores augustos e as cinzeluras douradas esmaltam e solenizam com resplandecência, dentre a profusão suntuosa das luzes, suavíssimas vozes cantam.

Coros edênicos inefavelmente desprendem-se de gargantas límpidas, em finas pratas de som, que parecem dar ainda mais brancura e sonoridade à vastidão do templo sonoro.

E as vozes sobem claras, cantantes, luminosas como astros.

Cristos aristocráticos de marfim lavrado, como fidalgos e desfalecidos príncipes medievos apaixonados, emudecem diante dos Cânticos, da grande exaltação de amor que se desprende das vozes em fios sutilíssimos de voluptuosa harmonia.

O seu sangue delicado, ricamente trabalhado) em rubim, mais viso, mais luminoso e vermelho fulge ao clarão das velas.

Dir-se-ia que esse rubim de sangue palpita, aceso mais intensamente no colorido rubro pele luxúria dos Cânticos, que despertam, ciliciando, todas as virgindades da Carne.

Fortes, violentas rajadas de sons perpassam convulsamente nos violoncelos, enquanto que as vozes se elevam, sobem, num veemente desejo, quase impuras, maculadas quase, numa intenção de nudez.

E, através da volúpia das sedas e damascos pesados que ornamentam o templo, das luzes adormentadoras. dos perturbadores incensos, da opulência festiva dos paramentos dos altares e dos sacerdotes, das egrégias músicas sacras, sente-se impressionativamente pairar em tudo a volúpia maior - a volúpia branca dos Cânticos.

Comentários: Apesar de empregar o misticismo e algumas palavras do vocabulário simbolista, o texto mostra nítida inspiração parnasiana. principalmente por sua construção de imagens mais precisas e detalhadas. Em certos momentos, sentimo-nos diante de um poema de construção clássica, até mesmo pelo rigor descritivo e pela economia de figuras.

Estrutura de Broquéis

Broquéis apresenta 54 poemas, sendo 47 sonetos. Os versos são decassílahos rimados, variando-se o esquema de rimas.

Esboços de atmosfera vaga: Em Sonhos, Monja, Carnal e Místico, Lua, Primeira Comunhão, Velhas Tristezas, Vesperal, Cristais, Sinfonias do Ocaso, Música Misteriosa, Ângelus, Sonata, Incensos e Luz Dolorosa. Nesses poemas há predominância do branco, imagens cósmicas e uma musicalidade etérea.

Metalinguagem

Antífona, Siderações, Clamando, Sonho Branco, Torre de Ouro, Sonhador, Foederis Arca, Post Mortem, Supremo Desejo e Tortura Eterna. Nesses poemas há a tematização do ato poético ou da condição do poeta. Em todos eles, busca-se valorizar as intenções da poesia simbolista: vaga, abstrata, musical, sensorial.

Erotismo sensual

Lésbia, Múmia, Lubricidade, Braços, Encarnação, Tulipa Real, Dança do Ventre, Dilacerações, Sentimentos Carnais e Serpente de Cabelos. Em Cruz e Sousa, o erotismo é algo densamente carnal, de natureza física. Com isso, as imagens de sensualidade perdem algumas vezes o caráter vago da poesia simbolista para aproximarem-se mais do Expressionismo, devido mesmo a certas deformações e acumulações metafóricas. Sua influência, entretanto, é Baulelaire.

Erotismo espiritual

Canção da Formosura, Beleza Morta, Deusa Serena, Flor do Mar, Alda e Lembranças Apagadas. Nesses poemas, o amor é platonizado, ganhando dimensão mais etérea e abstrata. Os tons bruscos e rudes do erotismo sensual desvanecem¬se, atingindo luminosidades e retomando os matizes variados do branco.

Retratos extravagantes

Satã, Afra, Judia, Tuberculosa, Regenerada, Rebelado e Majestade Caída. Esses poemas mostram imagens algumas vezes radicalmente fortes, traços de anormalidade ou extravagância são acentuados. A exceção fica por conta de “Tuberculosa”, cuja composição é nitidamente simbolista. Os demais denotam influência parnasiana.

Visões místicas

Cristo de Bronze, Regina Coeli, Noiva da Agonia, Visão da Morte e Aparição. Esse grupo de poemas traduz claramente o misticismo simbolista.

Alegorias pessimistas

A Dor e Acrobata da Dor. Os dois poemas mostram tendência parnasiana. O segundo emprega “sintaxe meio clássica” e talvez seja a composição mais parnasiana de Broquéis, o que em nada perturba o seu virtuosismo sonoro.

Análise de Broquéis

Primeiramente, devemos levar em conta que Cruz e Sousa foi chamado pelo crítico Tristão de Ataíde de “poeta solar”, por causa da predominância do branco e de claridades em seus poemas. Usando e abusando de substantivos e adjetivos que denotam a presença quase constante do branco em todos os seus matizes, Cruz e Sousa deixou patente sua obsessão por essa cor, chegando, em certos momentos, a tornar evidente para os leitores a sugestão de vazio. Essa era a pretensão do Simbolismo enquanto estética: chegar ao vago absoluto, à imprecisão completa. Os versos abaixo, que abrem o livro, são um bom exemplo disso:

"Ó Formas alvas, brancas. Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!...

Ó Formas vagas, tinidas, cristalinas...

Incensos dos turíbulos das aras..." (Antífona)

Afinal, do que estará o poeta falando? De nada, já que sua intenção é justamente criar o inusitado, a sugestão absoluta do branco. Para tanto, emprega redundantemente expressões e palavras que sugerem clareza: “alvas”, “brancas”, “claras”, “de luares”, “de neves”, “de neblinas”. Deixa ainda mais patente a busca do vago em: “formas vagas”, “fluidas”, “cristalinas”. “Incensos”. Já transparece aqui outro recurso predominante na poética desse simbolista, que é o emprego de vocabulário das liturgias religiosas: “turíbulos” e “aras”, ou seja, vasos utilizados nas celebrações para se queimar incenso e os próprios altares dessas liturgias.

Aproveitaremos os mesmos versos para falarmos da musicalidade, outra característica simbolista. A musicalidade desses versos nasce de três decorrências:

A primeira é aparente - o emprego das rimas (esquema ABBA), que brota da influência clássica do Parnasianismo e que não foi abandonada por Cruz e Sousa quanto aos aspectos formais do poema. Devemos notar que ele emprega rimas ricas. No caso, adjetivo e substantivo, entre o primeiro e o quarto versos, e substantivo e adjetivo, entre o segundo e terceiro versos.

A segunda nasce do emprego de uma figura de construção, a assonância, muito utilizada no Simbolismo, que consiste na repetição da vogal, no caso a vogal “a”, como podemos perceber no primeiro verso: “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras”

A terceira, bem menos evidente que as demais, surge com o emprego dos versos harmônicos, que consistiriam num processo de justaposição cumulativa de imagens e “de sons simultâneos, de palavras isoladas que vibram sem conexão sintática”. Os versos que compõem a estrofe não apresentam verbos, são frases nominais, que parecem se unir numa densa imagem ilógica, abstrata, mas que mantêm uma cadência sonora. Cada expressão ou palavra parece vibrar e ganhar sentido no termo seguinte, criando uma densa melodia. Esse esquema de construção predomina em Broquéis.

Outros temas representam verdadeira obsessão em Cruz e Sousa e, por conseqüência em Broquéis: amor, morte, sonho, fantasia, quimera, mulher, crepúsculo, lírio, noite, música. O amor e a morte são evidentes heranças românticas, já que o Simbolismo representa uma retomada do “mal do século”. Entretanto, encontramos uma predominância do erotismo sobre o platonismo. Em vários momentos a imagem de pureza da mulher não consegue evitar que o eu-lírico extrapole seus idealismos e exponha seus desejos carnais. Símbolo maior desse erotismo, que povoa a poesia de Cruz e Sousa, encontramos em Lésbia, sua representação máxima:

“Cróton selvagem, tinhorão lascivo,

Planta mortal, carnívora, sangrenta.

Da tua carne báquica rebenta

A vermelha explosão de um sangue vivo.”

Nem sempre, porém, a mulher é vista como um ser carnal e corpóreo, sendo algumas vezes representada pela feminilidade da lua, por exemplo:

“Então, ó Monja branca dos espaços,

Parece que abres para mim os braços,

Fria, de joelhos, trêmula, rezando...” (Monja)

“E ondulam névoas. cetinosas rendas

De virginais, de prónubas alvuras...

Vagam aladas e visões e lendas

No flórido noivado das Alturas...(Lua)

Essa tendência para a personificação ou prosopopéia aparece também em vários outros poemas.

Outra característica de Broquéis é o emprego da sinédoque, já que o poeta utiliza partes do corpo humano para representá-lo inteiro:

“Braços nervosos, brancas opulências.

Brumais brancuras, fúlgidas brancuras,

Alvuras castas, virginais alvuras,

Lactescências das raras lactescências.” (Braços)

Outro elemento importante em toda a obra é o misticismo, que se apresenta numa intensidade quase dominante na maior parte dos poemas. A alma do poeta parece repleta de uma mística que segue o ritual de suas imagens, quase sempre aéreas, voláteis. Mesmo o elemento mundano sofre profunda transforrnação, ganhando leveza e brilho. Uma misteriosa música parece dominar os sentidos, refletindo os acordes de um hino religioso. Por isso os poemas assemelham-se tanto, são compassos de uma mesma música que vai conduzindo o leitor pelo universo mais íntimo do artista. Mesmo o vocabulário, tantas vezes repetido denota que o acorde de um verso, de um poema, parece continuar em outro, tantas vezes repetido, como num ladainha que vai ganhando intensidade e novas cores. Esse processo reiterativo é enfim um recurso formal que possibilita o entendimento de Broquéis.

“Pelos raios fluídicos, diluentes

Dos Astros, pelos trêmulos velários,

Cantam Sonhos de místicos templários,

De ermitões e de ascetas reverentes...

Cânticos vagos, infinitos, aéreos

Fluir parecem dos Azuis etéreos.

Dentre os nevoeiros do luar tinindo...” (Música Misteriosa)

Em diversos poemas, encontramos a presença da metalinguagem, ou seja, o discurso poético voltado ao seu próprio fazer. Tomamos como exemplo uma estrofe de Antífona que é uma espécie de profissão de fé do Simbolismo:

“Que o pólen de ouro dos mais finos astros

Fecunde e inflame a rima clara e ardente...

Que brilhe a correção dos alabastro

Sonoramente, luminosamente.”

Toda essa inventividade lingüística gerou um certo espanto no público da época e ainda vem arrancando exclamações dos leitores incrédulos diante dessa polifonia simbolista. Mas, estejamos certos de que é do novo que brota a modernidade, é do espanto que nascem a genialidade e a criatividade e é de tudo isso que germina a poesia etérea e misteriosa de Cruz e Sousa.

Alguns textos comentados de Broquéis

Antífona

Ó Formas alvas, brancas. Formas claras

De luares, de neves, de neblinas!...

Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...

Incensos dos turíbulos das aras...

Formas do Amor, constelarmente puras,

De Virgens e de Santas vaporosas...

Brilhos errantes, mádidas frescuras

E dolências de lírios e de rosas...

Indefiníveis músicas supremas.

Harmonias da Cor e do Perfume

Horas do Ocaso, trêmulas, extremas.

Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,

Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...

Dormências de volúpicos venenos

Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,

Inefáveis, edênicos, aéreos,

Fecundai o Mistério destes versos

Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades

Que fuljam, que na Estrofe se levantem

E as emoções, todas as castidades

Da alma do Versos, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros

Fecunde e inflame a rima clara e ardente...

Que brilhe a correção dos alabastros

Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça

De carnes de mulher, delicadezas...

Todo esse eflúvio que por ondas passa

Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões álacres,

Desejos, vibrações, ânsias, alentos,

Fulvas vitórias, triunfamentos acres,

Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas

De amores vãos, tantálicos, doentios...

Fundas vermelhidões de velhas chagas

Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,

Nos turbbilhões quiméricos do Sonho,

Passe, cantando, ante o perfil medonho

E o tropel cabalístico da Morte...

O poema em versos decassílabos dispostos em quadras (ou quartetos) é uma espécie de "profissão de fé" da poesia simbolista, verdadeiro texto-programa das intenções de Cruz e Sousa. Nele encontramos os objetivos da poética decadentista, tais como o absolutamente vago, a musicalidade, o misticismo, a evasão e o pessimismo. O título significa um versículo recitado antes de um salmo, o que por si só já traduz o misticismo do autor. O poema, como um todo, segue a proposta de Verlaine de apenas sugerir e nunca nomear os objetos. Está também presente a metalinguagem, já que há uma verdadeira exaltação à forma e à função da palavra. Estão ainda presentes a sinestesia, as aliterações e as assonâncias. A predominância de frases nominais sugere a presença dos versos harmônicos, já que o primeiro verbo só aparecerá no final da terceira estrofe. O "poeta solar" já deixa também evidente sua predileção exagerada pelo branco, sugerido na primeira estrofe em todos os seus matizes.

Texto 2 - Siderações

Para as Estrelas de cristais gelados

As ânsias e os desejos vão subindo,

Galgando azuis e siderais noivados

De nuvens brancas a amplidão vestindo...

Num cortejo de cânticos alados

Os arcanjos. cítaras ferindo,

Passam, das vestes nos troféus prateados,

As asas de ouro finamente abrindo...

Dos etéreos turíbulos de neve

Claro incenso aromal. límpido e leve.

Ondas nevoentas de Visões levanta...

E as ânsias e os desejos infinitos

Vão com os arcanjos formulando ritos

Da eternidade que nos Astros canta...

Comentários: O soneto em versos decassílabos representa bem o caráter vago da poesia de Cruz e Sousa, que procura construir através do cruzamento de sensações (sinestesias) imagens sugestivas do céu. O caráter abstrato é obtido pelo emprego da visão (emprego de cores e luminosidades), audição (sons de instrumentos e cânticos) e olfato (aroma do incenso). É interessante notarmos que o ritmo do poema é lento, acompanhando uma espécie de bailado em forma ascendente até soltar-se completamente no último verso.
REALISMO, NATURALISMO e PARNASIANISMO
O Realismo e o Naturalismo têm início na França, considerada no século XIX como o centro cultural do mundo. Logo se espalha para toda a Europa e Portugal.
Na França
Realismo: Madame Bovary, de Gustave de Flaubert - 1857
Naturalismo: O romance experimental, de Emile Zola - 1867.
Parnasianismo: Le Parnasse contemporain (revista) - 1866, 1871 e 1876
Em Portugal
1865 - Questão Coimbrã
1871 - Conferência do Cassino Lisbonense.
1875 - Publicação de O crime do padre Amaro, de Eça de Queirós, primeiro romance realista-naturalista.
1890 - Oaristos, de Eugênio de Castro. Início do Simbolismo.
No Brasil (1881)
Realismo - Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
Naturalismo – O mulato, de Aluísio Azevedo
Referências históricas
Contexto sócio-político da época:
• teorias de nova interpretação da realidade - Positivismo, Socialismo Científico e Evolucionismo;
• na Europa vive-se a 2ª Revolução Industrial;
• no Brasil, campanha abolicionista a partir de 1850 que culmina com a Lei Áurea em 1888;
• fundação do Partido Republicano nacional após a Guerra do Paraguai;
• decadência da monarquia brasileira;
• fim da mão-de-obra escrava e sua substituição por trabalho assalariado;
• imigrantes europeus para a lavoura cafeeira;
• economia mais voltada para o mercado externo, sem colonialismo.
Datas importantes:
1840-1889: vigência do Segundo Reinado (D. Pedro II)
1850: Extinção do tráfico negreiro
Meados de 1870: Ampliação do comércio exterior e da imigração européia; aumento da exportação do café e início da industrialização.
1889: Proclamação da República
O Realismo, escola que substitui o Romantismo no Brasil, é uma reação diametralmente oposta aos excessos do Romantismo. Vejamos as principais diferenças entre Romantismo e Realismo:

ROMANTISMO (1836-1881)
- Ênfase na fantasia;
- Predomínio da emoção;
- Proximidade emocional entre autor e os temas;
- Subjetividade;
- Escapismo (literatura como fuga da realidade);
- Personagens idealizados;
- Nacionalismo;

REALISMO (1881 – 1893)
- Ênfase na realidade;
- Predomínio da razão;
- Distanciamento racional entre o autor e os temas;
- Objetividade;
- Engajamento (literatura como forma de transformar a realidade)
- Retrato fiel das personagens;
- A mulher numa visão real, sem idealizações...
- Universalismo.
Características do Realismo e do Naturalismo
Realismo e Naturalismo foram as duas escolas literárias de domínio narrativo no fim do século XIX e início do século XX. Sua contrapartida na poesia é chamada de Parnasianismo.
Realismo: os escritores voltavam-se para a observação do mundo objetivo. Procuravam fazer arte com os problemas concretos de seu tempo, sem preconceitos ou convenções. Focalizavam o cotidiano. O adultério, o clero e a sociedade burguesa em crise tornaram-se temas para as obras desse período.
Naturalismo: radicalizou o determinismo (o homem como produto de leis físicas e sociais) do movimento realista. Essa nova tendência apareceu em uma situação de grande pessimismo. Os escritores naturalistas introduziram o chamado "romance experimental". O movimento não se restringiu à ciência positivista. Registrou, como os realistas, não o passado, mas o presente com temas inovadores e linguagem atual. Denunciou a hipocrisia e caracterizou as lutas sociais, temáticas novas, que anteciparam a literatura de ênfase social do século XX.





Características do Realismo:
Objetivismo;
Descrições e adjetivações objetivas;
Linguagem culta e direta;
Mulher não idealizada; real. Ex.: Marcela e Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas), Sofia (Quincas Borba)...
Amor e outros interesses subordinados aos interesses sociais;
Herói problemático;
Narrativa lenta, tempo psicológico;
Personagens trabalhados psicologicamente.

Características do Naturalismo:
Determinismo biológico;
Objetivismo científico;
Temas de patologia social;
Observação e análise da realidade;
Ser humano descrito sob a ótica do animalesco e do sensual;
Linguagem simples;
Descrição e narrativa lentas;
Impessoalidade;
Preocupação com detalhes.

DIFERENÇAS ENTRE REALISMO E NATURALISMO

REALISMO
- Forte influência da literatura de Gustave Flaubert (França).
- Romance documental, apoiado na observação e na análise.
- A investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita “de dentro para fora”, por meio de análise psicológica capaz de abranger sua complexidade, utilizando a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar.
- Volta-se para a psicologia, centrando-se mais no indivíduo.
- As obras retratam e criticam as classes dominantes, a alta burguesia urbana e, normalmente, os personagens pertencem a esta classe social.
- O tratamento imparcial e objetivo dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras.

NATURALISMO
- Forte influência da literatura de Émile Zola (França).
- Romance experimental, apoiado na experimentação e observação científica.
- A investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre “de fora para dentro”, os personagens tendem a se simplificar, pois são vistos como joguetes, pacientes dos fatores biológicos, históricos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimento.
- Volta-se para a biologia e a patologia, centrando-se mais no social.
- As obras retratam as camadas inferiores, o proletariado, os marginalizados e, normalmente, os personagens são oriundos dessas classes sociais mais baixas.
- o tratamento dos temas com base em uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literariamente os textos.


Quadro comparativo
Realismo Naturalismo
* a investigação da sociedade e dos caracteres individuais é feita de "dentro para fora", isto é, por meio de uma análise psicológica capaz de abranger toda a sua complexidade, utilizando entre outros recursos a ironia, que sugere e aponta, em vez de afirmar; * a investigação da sociedade e dos caracteres individuais ocorre "de fora para dentro"; as personagens tendem a se simplificar, pois são vistas como joguetes, títeres dos fatores biológicos e sociais que determinam suas ações, pensamentos e sentimentos;
* ênfase nas relações entre os homens e a sociedade burguesa, atacando suas instituições e seus fundamentos ideológicos: o casamento, o clero, a escravidão do homem ao trabalho como meio de "vencer na vida"; as contradições entre ricos e pobres, vistas da ótica dos "vencidos"(os marginais, os operários, as prostitutas) e não dos "vencedores". * ênfase na descrição das coletividades, dos tipos humanos que encarnam os vícios, as taras, as patologias e anormalidades reveladoras do parentesco entre o homem e o animal, no homem descendo à condição animalesca em sua situação de mero produto das circunstâncias externas, como a hereditariedade e o maio ambiente;
* o tratamento imparcial e objetivo dos temas garante ao leitor um espaço de interpretação, de elaboração de suas próprias conclusões a respeito das obras. * o tratamento dos temas a partir de uma visão determinista conduz e direciona as conclusões do leitor e empobrece literalmente os textos.


ROMANCE REALISTA

MACHADO DE ASSIS

1ª FASE (Tendências românticas) Obras: Ressurreição, A mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia.

Características Gerais:
- crença nos valores da época;
- estrutura de folhetim
- esquematismo psicológico.

2ª FASE (Tendências realistas) Obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memorial de Aires.

Características Gerais:
Análise psicológica (os seres vistos em sua complexidade psíquica)
Análise dos valores sociais (os valores que a sociedade cria para justificar sua própria existência)
Pessimismo (descrença nos indivíduos e na organização social)
Ironia (o chamado “sense of humor”, inspirado nos ingleses Stern e Swift)
Refinamento da linguagem narrativa.

Principais personagens:
Brás Cubas, Virgília, Quincas – (Memórias Póstumas de Brás Cubas)
Bentinho, Capitu, Escobar, José Dias, – (Dom Casmurro)
Quincas Borba, O cão e o Filósofo, Rubião, Sofia e Palha – (Quincas Borba)


ROMANCE NATURALISTA

ALUÍSIOAZEVEDO

Principais características:
- Expressão de destaque no naturalismo brasileiro;
- Sua linguagem literária era chocante, objetiva e direta. Procurava denunciar pela palavra a miséria, a corrupção moral. Muitos de seus personagens são doentes físicos, mentais, vítimas de suas próprias imperfeições.
- Demonstrava nítida preocupação com as classes marginalizadas pela sociedade.

OBRAS
- O Mulato
- Casa de Pensão
- O Cortiço (obra máxima do Naturalismo brasileiro).

O CORTIÇO
- Revelação da miséria urbana
- Enfoque nas classes marginais
- Determinismo do meio (tese dominante)
- Domínio do coletivo sobre o individual
- Desagregação dos instintos
- Principais personagens: João Romão, Bertoleza, Miranda, Jerônimo, Rita Baiana e Pombinha.


RAUL POMPÉIA

Principais características:
- Nasceu em Angra dos Reis e suicidou-se no Rio de Janeiro, na noite de Natal.
- Sua obra “O Ateneu” apresenta inspiração na adolescência do autor (estudou num colégio interno, o Colégio Abílio)
- Sua técnica se prende ao Impressionismo em que o artista enfatiza a impressão que a realidade despertou nele.

PARNASIANISMO “arte pela arte”

- Surge na França como reação à poesia romântica
- Procura corresponder, em poesia, ao Realismo na prosa

Características do Parnasianismo:
- Objetividade e impessoalidade do poeta
- Culto à Forma, entendida como métrica, rima e versificação.
- Utilização de fórmulas poéticas fixas como o soneto.
- “Arte pela Arte”: a arte só tem compromisso com ela mesma
- Tema principal: a mitologia greco-latina

PARNASIANISMO NO BRASIL

- Literatura descompromissada das elites
- Absoluto domínio em termos de prestígio
- Formação da tríade parnasiana (Olavo Bilac, Alberto Oliveira e Raimundo Correia)
- Uma das causas da Semana de Arte Moderna

TEMAS:
- A mitologia e a história greco-romana
- A natureza
- O amor sensual
- A pátria

OLAVO BILAC (Principal poeta)
OBRAS:
- Poesias
- Tarde

PRINCIPAIS POEMAS
- In extremis
- O caçador de esmeraldas
- Via-láctea
- Profissão de fé
- Sarças de fogo

Profissão de fé (fragmento)
(...)
Invejo o ourives quando escrevo: Torce, aprimora, alteia, lima
Imito o amor A frase; e, enfim,
Com que ele, em ouro, o alto relevo No verso de ouro engasta a rima,
Faz de uma flor. Como um rubim.
Imito-o. E, pois, nem de Carrara Quero que a estrofe cristalina,
A pedra firo: Dobrada ao jeito
O alvo cristal, a pedra rara, Do ourives, saia da oficina
O ônix prefiro. Sem um defeito:
Por isso, corre, por servir-me, Assim procedo. Minha pena
Sobre o papel Segue esta norma,
A pena, como em prata firme Por te servir, Deusa serena,
Corre o cinzel. Serena Forma!”
(...)
Ouvir Estrelas

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso”. “ E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: - Tresloucado amigo.
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo?
E eu vos direi. - "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Um Beijo

Foste o beijo melhor da minha vida,
Ou talvez o pior...Glória e tormento,
Contigo à luz subi do firmamento,
Contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
Queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
E do teu gosto amargo me alimento,
E rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
Batismo e extrema-unção, naquele instante
Por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-te o ardor, e o crepitar te escuto,
Beijo divino! e anseio, delirante,
Na perpétua saudade de um minuto...



Bibliografia consultada:

http://pessoal.educacional.com.br/up/4380001/1434835/t139.asp
http://www.nilc.icmc.usp.br/nilc/literatura/realismo.naturalismo1.htm
http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/portugues/literatura_brasileira/estilos_literarios/5_realismo_naturalismo_brasil
http://www.sitedeliteratura.com/Litbras/Realismo.htm
http://www.graudez.com.br/literatura/realismonaturalismo.html
http://www.geocities.com/slprometheus/html/his7.htm

Leitura diferenciada de Dom Casmurro

Dom Casmurro, de Machado de Assis, traz memórias de um personagem amargurado que acredita ter sido traído pela mulher

Bento Santiago, o amargurado e solitário personagem-narrador, diz ter sido traído por Capitu. Esse suposto adultério é pano de fundo para que Machado de Assis introduza de forma inovadora questões relativas à situação da mulher

Publicado pela primeira vez em 1899, Dom Casmurro é uma das grandes obras de Machado de Assis e confirma o olhar certeiro e crítico que o autor estendia sobre toda a sociedade brasileira. Também a temática do ciúme, abordada com brilhantismo nesse livro, provoca polêmicas em torno do caráter de uma das principais personagens femininas da litera-tura brasileira: Capitu.

MUITAS LEITURAS
Há uma discussão em torno da obra que alimenta os espíritos mais inflamados: Capitu traiu ou não seu marido Bento Santiago, o Bentinho?


O romance, entretanto, presta-se a muitas leituras, e é interessante ver como a recepção ao livro se modificou com o passar do tempo. Quando foi lançado, era visto como o relato inquestionável de uma situação de adultério, do ponto de vista do marido traído. Depois dos anos 1960, quando questões relativas aos direitos da mulher assumiram importância maior em todo o mundo, surgiram interpretações que indicavam outra possibilidade: a de que a narrativa pudesse ser expressão de um ciúme doentio, que cega o narrador e o faz conceber uma situação imaginária de traição.
Machado de Assis, autor sutil e de penetração aguda em questões sociais, arma o problema e testa seu leitor. É impressionante como isso vale ainda hoje, mais de um século depois do lançamento do livro. O romance é a história de um homem de posses que ama uma moça pobre e esperta e se casa com ela. Em sua velhice, ele escreve um romance de memórias para compreender melhor a vida.


Capitu, até a metade do livro, é quem dá as cartas na relação. É inteligente, tem iniciativa, procura articular maneiras de livrá-lo do seminário etc. Trata-se de uma garota humilde, mas avançada e independente, muito diferente da mulher vista como modelo pela sociedade patriarcal do século XIX. Nesse sentido, Capitu representa no livro duas categorias sociais marginalizadas no Brasil oitocentista: os pobres e as mulheres. A personagem acabará por “perturbar” a família abastada, ao casar-se com o homem rico.


Percebe-se, por isso, o peso do possível adultério em suas costas. Não se trata apenas de uma questão conjugal entre iguais, mas de uma condenação de classe. Bentinho utiliza o arbítrio da palavra para culpar sua esposa. Mas é ele quem narra os acontecimentos e, por isso, pode manipular os fatos da maneira que melhor lhe convém. Não se sabe até que ponto os fatos relatados correspondem ao que ocorreu, ou são uma interpretação feita pelo personagem, que, além de tudo, escreve que não tem boa memória.


Nesse sentido, a questão central do livro não é o adultério, e sim como Machado introduz na literatura brasileira o problema das classes e, ainda, de forma inovadora, a questão da mulher. Dom Casmurro coloca no centro de sua temática a menina que não se deixa comandar e, em virtude disso, perturba a ordem vigente naquele ambiente social estreito e conservador.

ENREDO
O romance inicia-se numa situação posterior a todos os seus acontecimentos. Bento Santiago, já um homem de idade, conta ao leitor como recebeu a alcunha de Dom Casmurro. A expressão fora inventada por um jovem poeta, que tentara ler para ele no trem alguns de seus versos. Como Bento cochilara durante a leitura, o rapaz ficou chateado e começou a chamá-lo daquela forma.


O narrador inicia então o projeto de rememorar sua existência, o que ele chama de “atar as duas pontas da vida”. O leitor é apresentado à infância de Bentinho, quando ele vivia com a família num casarão da rua de Matacavalos.


O primeiro fato relevante narrado é também seu primeiro motivo de preocupação. Bentinho escuta uma conversa entre José Dias e dona Glória: ela pretende mandá-lo ao seminário no cumprimento de uma promessa feita pouco antes de seu nascimento. A mãe, que já havia perdido um filho, prometera que, se o segundo filho nascesse “varão”, ela faria dele padre. Na conversa, dona Glória soubera da amizade estreita entre o menino e a filha de Pádua, Capitolina.


Bentinho fica furioso com José Dias, que o denunciara, e expõe a situação a Capitu. A menina ouve tudo com atenção e começa a arquitetar uma maneira de Bentinho escapar do seminário, mas todos os seus planos fracassam. O garoto segue para o seminário, mas, antes de partir, sela, com um beijo em Capitu, a promessa de que se casaria com ela.


No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo. Em uma visita a sua família, Bentinho leva Escobar e Capitu o conhece.


Enquanto Bentinho estuda para se tornar padre, Capitu estreita relações com dona Glória, que passa a ver com bons olhos a relação do filho com a garota. Dona Glória ainda não sabe, contudo, como resolver o problema da promessa e pensa em consultar o papa. Escobar é quem encontra a solução: a mãe, em desespero, prometera a Deus um sacerdote que não precisava, necessariamente, ser Bentinho. Por isso, no lugar dele, um escravo é enviado ao seminário e ordena-se padre.

TRISTE E NOSTÁLGICO
Bentinho vai estudar direito no Largo de São Francisco, em São Paulo. Quando conclui os estudos, torna-se o doutor Bento de Albuquerque Santiago. Ocorre então o casamento tão esperado entre Bento e Capitu. Escobar, por seu lado, casara-se com Sancha, uma antiga amiga de colégio de Capitu. Capitu e Bentinho formam um “duo afinadíssimo”.


Essa felicidade, entretanto, começa a ser ameaçada com a demora do casal em ter um filho. Escobar e Sancha não encontram a mesma dificuldade: têm uma bela menina, a quem colocam o nome de Capitolina.


Depois de alguns anos, Capitu finalmente tem um filho, e o casal pode retribuir a homenagem que Escobar e Sancha lhe haviam prestado: o filho é batizado com o nome de Ezequiel.


Os casais passam a conviver intensamente. Bento vê uma semelhança terrível entre o pequeno Ezequiel e seu amigo Escobar, que, numa de suas aventuras na praia – o personagem era excelente nadador –, morre afogado.


Bento enxerga no filho a figura do amigo falecido e fica convencido de que fora traído pela mulher. Resolve suicidar-se bebendo uma xícara de café envenenado. Quando Ezequiel entra em seu escritório, decide matar a criança, mas desiste no último momento. Diz ao garoto, então, que não é seu pai. Capitu escuta tudo e lamenta-se pelo ciúme de Bentinho, que, segundo ela, fora despertado pela casualidade da semelhança.


Após inúmeras discussões, o casal decide separar-se. Arruma-se uma viagem para a Europa com o intuito de encobrir a nova situação, que levantaria muita polêmica. O protagonista retorna sozinho ao Brasil e se torna, pouco a pouco, o amargo Dom Casmurro. Capitu morre no exterior e Ezequiel tenta reatar relações com ele, mas a semelhança extrema com Escobar faz com que Bento Santiago o rejeite novamente.


O destino de Ezequiel é infeliz: ele morre de febre tifóide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.


Triste e nostálgico, o narrador constrói uma casa que imita sua casa de infância, na rua de Matacavalos. O próprio livro é também uma tentativa de recuperar o sentido de sua vida. No fim, o narrador parece menosprezar um pouco a própria criação. Convence-se de que o melhor a fazer agora é escrever outra obra sobre “a história dos subúrbios”.

NARRADOR
O narrador é Bento Santiago, transformado já no velho Dom Casmurro. O foco narrativo é, portanto, em primeira pessoa e toda a narrativa é uma lembrança do personagem sobre sua vida, desde os tempos de criança, quando ainda era chamado de Bentinho.

TEMPO
O tempo da narrativa é psicológico, e não cronológico. Esse recurso é chamado impressionismo, porque o narrador se detém nas experiências que marcaram sua subjetividade. Seria usada pelo escritor francês Marcel Proust em sua obra Em Busca do Tempo Perdido. A falibilidade da memória surge como fator de complexidade, uma vez que uma lembrança só pode ser acessada de um momento presente.


Os acontecimentos, então, passam pelo filtro da subjetividade presente. É por isso que a descrição que o narrador faz de Capitu, como uma pessoa volúvel e sensual, deve ser posta em dúvida pelo leitor. O sentimento de ciúme exacerbado de Bento pode ter desvirtuado a figura da personagem.

domingo, 1 de novembro de 2009

Museu do Louvre

A foto é apenas ilustrativa! Museu de Louvre.
(atual)

Breve resumo:

Um artigo, publicado em 1826, no Mercure Français Du XIXème Siècle, apresentou a doutrina estética chamada realismo.

Madame BovarY- de Gustave Flaubert na França- realismo .
  • O positivismo, o evolucionismo e, principalmente a filosofia alemã inspiraram o Realismo, encontrando ressonância no conturbado momento histórico pelo Brasil, sob o signo do abolicionismo, do ideal republicano e da crise da Monarquia.

Brasil na segunda metade do séculom XIX
Datas importantes:
  • 1840-1889: vigência do Segundo Reinado.
  • 1850: Extinção do tráfico negreiro.
  • Meados de 1870: Ampliação do comércioexterior e da imigração européia; aumento exportação do café e início da industrialização.
  • 1889: Proclamação da República.
Em 1870 surge a Escola de recife, com Tobias Barreto, Silvio Romero e outros, cujas ideias se aproximavam do pensamento europeu.
  • No Brasil o ano inaugural do Realismo foi 1881, ano fértil para a literatura brasileira, com a publicação de três narrativas fundamentais, que modificaram o curso de nossas letras: O mulato de Aluísio Azevedo, considerado primeiro romance naturalista brasileiro; Memórias Póstumas de Brás Cubas , de Machado de assis primeiro romance realista; e O alienista, novela exemplar, publicada em capítulos em A estação, de outubro de 1881 a março de 1882.
Na divisão tradicional da história da literatura braileira considera-se data final do Realismo o ano de 1893, em que são publicados Missal e Broquéis ambos de Cruz e Souza.
É importante salientar que essas obras registram o início do Simbolismo, mas nao o término do Realismo e suas manifestações na prosa, com os romances realistas e naturalistas , e na poesia, com o Parnasianismo.
  • Basta lembrar que D. Casmurro, de Machado de Assis, é de 1900; Esaú e Jacó, do mesmo autor é de 1904. Olavo Bilac foi eleito "prícipe dos poetas" em 1907. A Academia Brasileira de Letras, templo do Realismo, foi fundada em 1897. Na realidade, nos vinte anos do século XIX e nos primeiros vinte anos do século seguinte, três estéticas se desenvolveram paralelamente- o Realismo e suas manifestações, o Simbolismo e o Pré-Modernismo- até o advento Semana da Arte Moderna, em 1922.
cronologia do realismo, Naturalismo e Parnasianismo

  • Inicio : 1881- Publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis ( realismo), e de O Mulato, de Aluísio Azevedo (naturalismo); publicação (1882) de Fanfarras, de Teófilo dias (Parnasianismo).
  • Fim: 1893- Publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa , obras que iniciam o Simbolismo.



Romantismo Realismo


ênfase na fantasia ênfase na realidade
predomina emoção predomina razão
proximidade emocional autor e tema distanciamento autor e temas
subjetivismo objetivismo
escapismo (literatura forma fugir realidade) engajamento ( transformar realidade)
idealização personagens retrato fiel das personagens
linguagem predominante expressiva linguagem predomina objetiva
nacionalismo Universalismo




Realismo e Naturalismo Brasileiro//Ambos pertencem realismo/naturalismo

narrativa realista narrativa naturalista
Machado de Assis Aluísio de Azevedo

análise do indivíduo análise do agrupamento
Valorização do indivíduo valorização do coletivo
documental experimental
o homem é um ser social O homem é um ser natural- instinto
Crítica a falsa moral, excessiva religiosidade/ crítica a falsa moral excessiva relig.
Temas contemporâneos Temas contemporâneos

autores
Machado de assis; aluisio Azevedo; eça queiroz; julio Ribeiro; Ingles de Souza; Raul Pompéia; Domingos Olimpio; Gustave Flaubert; émile Zola; Manuel de Oliveira Paiva; Afonso Arenos; Simões Lopes.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

narrativa/smbolim

O que é descrição? É a ação que você toma de descrever sobre algo ou alguém.

Então, o que é descrever? Vejamos, de acordo com o dicionário, é o ato de narrar, contar minuciosamente.

Então, sempre que você expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição.

Esta última é como se fosse um retrato distinto e pessoal de algo que se vê ou se viu!

Assim, para se fazer uma boa descrição, não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será importante ser analisado para um, não será para outro.

Portanto, a vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão alcançada sobre determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento.

Os pormenores são essenciais para se distinguir um determinado momento de qualquer outro, desse modo, a presença de adjetivos e locuções adjetivas é traço distinto de um texto descritivo.

Quando for descrever verbalmente, tenha sutileza ao transmitir e leve em consideração, de acordo com o fato, objeto ou pessoa analisada: a) as cores; b) altura; c) comprimento; d) dimensões; e) características físicas; f) características psicológicas; g) sensação térmica; h) tempo e clima; i) vegetação; j) perspectiva espacial; l) peso; m) textura; n) utilidade; o) localização; e assim por diante.

Claro, tudo vai depender do que está sendo descrito. Em uma paisagem, por exemplo, a descrição poderá considerar: a posição geográfica (norte, sul, leste, oeste); o clima (úmido, seco); tipo (rural, urbana); a sensação térmica (calor, frio) e se existem casas, árvores, rios, etc.

Veja no exemplo:

“Da janela de seu quarto podia ver o mar. Estava calmo e, por isso, parecia até mais azul. A maresia inundava seu cantinho de descanso e arrepiava seu corpo...estava muito frio, ela sentia, mas não queria fechar a entrada daquela sensação boa. Ao norte, a ilha que mais gostava de ir, era só um pedacinho de terra iluminado pelos últimos raios solares do final daquela tarde; estava longe...longe! Não sabia como agradecer a Deus, morava em um paraíso!”

A sensação que o leitor ou ouvinte tem que ter em uma descrição é de que foi transportado para o local da narração descritiva.

Da mesma forma, quando um objeto é descrito, o interlocutor dever ter a sensação de que está vendo aquele sofá ou aquela xícara.

Por fim, vejamos a seguir os dois tipos de descrição existentes:

• Descrição objetiva: acontece quando o que é descrito apresenta-se de forma direta, simples, concreta, como realmente é:

a) O objeto tem 3 metros de diâmetro, é cinza claro, pesa 1 tonelada e será utilizado na fabricação de fraldas descartáveis.

b) Ana tem 1,80, pele morena, olhos castanhos claros, cabelos castanhos escuros e lisos e pesa 65 kg. É modelo desde os 15 anos.

Descrição subjetiva: ocorre quando há emoção por parte de quem descreve:

a) Era doce, calma e respeitava muito aos pais. Porém, comigo, não tinha pudores: era arisca e maliciosa, mas isso não me incomodava.

Portanto, na descrição subjetiva há interferência emocional por parte do interlocutor a respeito do que observa, analisa.

Como você vai saber se fez uma excelente narração descritiva? Quando reler o seu texto e perceber se de fato outros leitores visualizarão como reais o que está sendo descrito!


De forma resumida e bem objetiva, a redação deve ter três partes:

1. Introdução
2. Desenvolvimento
3. Conclusão

Mas como se dá cada uma delas? O que é necessário que elas tenham?
Vejamos, separadamente:

1. Introdução

O que é introdução, senão o ato de introduzir? Então, vejamos: introduzir é fazer entrar, fixar-se.

Não é por menos que o início do texto tem essa denominação, uma vez que é responsável por fazer com que o leitor queira adentrar, fixar os olhos e ler o restante do texto.

A introdução deve apresentar a ideia principal (tópico frasal) que será discutida não só no primeiro parágrafo, mas ao longo do texto!

Por ser o primeiro contato que o leitor tem com o escrito, a forma como a introdução é disposta é muito importante. Deve-se explorar o objetivo do texto em orações que atraiam o público-alvo. Importante é não se delongar muito nesta etapa, três linhas são o suficiente.

Lembre-se de que o texto começa pela introdução, na primeira linha. Portanto, escolha um título quando a produção for concluída, pois não há como saber com exatidão

2. Desenvolvimento

É o chamado “corpo do texto”, onde o tema escolhido é abordado e, como o próprio nome diz, desenvolvido. Após introduzir o tema, é hora de debatê-lo, através da exposição dos argumentos.

É necessário que as ideias estejam claras e exemplificadas, se for o caso. Nesta etapa, evite repetições de termos ou orações que tenham o mesmo sentido. Evite também períodos muito longos, pois tendem a tornar a leitura enfadonha, monótona. Além disso, pode fazer com que o escritor se perca em meio às suas próprias argumentações.

Não queira demonstrar mais do que sabe sobre determinado assunto, pois poderá cair no erro das repetições de ideias, exposto acima. E não é necessário “encher linguiça”, uma vez que qualidade é essencial, mas quantidade de argumentos não, tampouco de linhas: 18 a 22 linhas de desenvolvimento são suficientes!


3. Conclusão

Concluir é acabar, finalizar. Portanto, é o desfecho do texto. Muitos não dão importância para essa etapa, mas sem ela o texto fica vago, sem propósito.

Em um parágrafo, a conclusão deve reunir as ideias levantadas ao longo do texto, contudo, com um posicionamento por parte do escritor ou uma solução para um problema apresentado.

Nunca coloque: Concluímos que, Concluo que, Finalizando, Resumindo ou equivalentes na conclusão porque não é necessário que o escritor avise que irá finalizar o texto, já que esta etapa deve ser percebida pelo leitor e não alertada

RESENHA
Aumentar a nossa competência linguística é um dos requisitos básicos para que nos tornemos cada vez mais aptos ao ato da escrita.

Diante disso, devemos sempre buscar novas alternativas para o aperfeiçoamento dessa técnica, como desenvolver o hábito pela leitura de bons livros, a prática de nos mantermos informados sobre acontecimentos diversos perante a sociedade que nos cerca, dentre outros. Tal medida contribui para o nosso crescimento, tanto pessoal quanto profissional.

Dentre essas alternativas está a reescrita de textos, pois ao reescrevê-los estamos dando-lhes uma nova “roupagem” por meio de palavras de nossa própria autoria, porém procurando manter sua ideia principal.

Representando esta técnica estão: o resumo, o comentário, a resenha e a crítica. Existem dois fatores que se tornam relevantes diante de uma recriação textual: As características inerentes ao texto original (vocabulário, tipo textual, estruturação dos períodos e, sobretudo, o assunto em voga) e a competência por parte de quem a produz (seu conhecimento de mundo, sua competência linguística e seu amadurecimento intelectual).

Ao falarmos sobre estas modalidades de reescrita, é importante sabermos que a mesma não se restringe somente a textos, mas também a filmes, peças teatrais, eventos de uma forma geral, e outros. Há, portanto, dois tipos de resenha:

A Descritiva - Aquela em que o autor somente relata informações como, por exemplo, de um filme, revelando o nome, o diretor, nome dos atores, a procedência, gênero, etc. A seguir apresenta uma sinopse do enredo.

A Crítica - Nesta, o autor, além de aplicar todos estes procedimentos, ainda tece comentários a respeito do assunto abordado.

É sempre bom lembrarmos que “crítica” não deve ser entendida somente no sentido pejorativo, como o ato de apontar “falhas”, mas também de elogiar, comentar, analisar, ressaltando os aspectos de maior relevância.

Quando se trata da resenha no campo jornalístico, esta vem acompanhada de títulos, e às vezes de subtítulos, sendo que os dados do resenhista, seguido de algum comentário sobre trabalhados desenvolvidos, também ocupam lugar de destaque.

narração

NARRAÇAO

A narração consiste em arranjar uma seqüência de fatos na qual os personagens se movimentam num determinado espaço à medida que o tempo passa.

O texto narrativo é baseado na ação que envolve personagens, tempo, espaço e conflito. Seus elementos são: narrador, enredo, personagens, espaço e tempo.
Dessa forma, o texto narrativo apresenta uma determinada estrutura:

Esquematizando temos:

- Apresentação;
- Complicação ou desenvolvimento;
- Clímax;
- personafens">Protagonistas e Antagonistas

A narrativa é centrada num conflito vivido pelos personagens. Diante disso, a importância dos personagens na construção do texto é evidente.
Podemos dizer que existe um protagonista (personagem principal) e um antagonista (personagem que atua contra o protagonista, impedindo-o de alcançar seus objetivos). Há também os adjuvantes ou coadjuvantes, esses são personagens secundários que também exercem papéis fundamentais na história.

;">Narração e Narratividade


Em nosso cotidiano encontramos textos narrativos; contamos e/ou ouvimos histórias o tempo todo.
Mas os textos que não pertencem ao campo da ficção não são considerados narração, pois essas não têm como objetivo envolver o leitor pela trama, pelo conflito.
Podemos dizer que nesses relatos há narratividade, que quer dizer, o modo de ser da narraçãoEnredo personagens vivem, a trama das ações que elas fazem ou que elas sofrem. style="font-family: Arial;">Podemos identificar quatro partes que compõe o enredo:
– Clímax: É o ponto em que a ação atinge seu momento crítico, momento de maior tensão, tornando o desfecho inevitável.
– Desfecho: É a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.

Se não houver conflito, a narrativa fica reduzida a um relato, a uma seqüência de fatos que, não despertarão o interesse dos leitores.

domingo, 25 de outubro de 2009

CRÔNICA QUANTO AOS SEUS DISCURSOS

crônica

Sobre o ponto de vista textual e em sua elaboração enquanto escrita atende aos quatro tipos textuais mas vale dizer que nem sempre encontraremo-as em em uma úncica forma textual. Econtramos descritivas; narrativas; dialogadas ou dissertativa. Dethalhe há um predomínio intenso de alguns desses tipos textuais. Vejamos:


crônica descritiva

Ao tomar detreminado objeto, acontecimento, ou pessoa como assunto na crônica, o narrador se atém a caracterizar os detalhes. Ele evita moralizar ou filosofazar a partir deles. É um tipo raro, porque não manifesta a subjetividade, perpesctiva pessoal - isso é vital para a crõnica. Um exemplo para essa categoria pode ser a crônica " Quarto de moça" de Rubem Braga (1999, p.145-146).


crônica narrativa

Organizada como uma narrativa há começo, meio e fim. Aparecem personagens, diálogos e ação. Pode narrar fatos verídicos ou fccionais. No segundo caso aproxima-se do conto. O foto narrativo não é exclusivo, ou seja pode ser narrada em primeira como em terceira. Como exemplo cito a crônica " A vinda do Filho" de Fernando Sabino (1983, p.129.131).


crônica dissertativa


Desenvolve ideias e pontos de vista do cronista a partir de argumentos lógicos e racionais. Por expor e defender valores axiólogicos do escritor-cronista, redigida em primeira pessoa tanto no singular quanto no plural. Raramente um ponto de vista neutro, como o de tereceira pessoa do singular. Aproxima-se do ensaio, dele diferenciando-se por ser sitética e ppessoal.
Pode assumir tratamento sério como também paródico ou irônico. Tem como assunto questões de foro íntimo, quanto sociais ou políticas. "Feriados", de Carlos Drumond de Andrade (ANDRADE, 1970,p.65)


crônica dialogada


Exemplo mais raro de crônica, mas existe. É aquela em que o narrador desaparece do tecido textual e deixa apenas o diálogo entre as personagenscontar a história. Ou aparece reduzido a intervenções mínimas de distribuição das falas, sem expressar sua posição avaliadora ou critica. Como exemplo cito Luis Fernando Verissimo é um cronista hábil na construção desse tipo de texto e dele podemos citar a crônica "Lixo", que se encontra em O Melhor das Comédias da Vida Privada (VER´RISSIMO, 2004, p. 87-90)


crônica mistas

Trata-se de um tipo híbrido de texto, em que presentes características tanto crônica narrativa quanto decritiva, dissertativa e a dialogada. è o tipo mais frequente. Uma das mais belas crônicas de Rubem Braga, "Recado ao senhor 903", é um exemplo deste tipo (BRAGA, 1998, p. 178-179)



Referente ao tratamento do assunto

Todos tipos textuais (narração, descrição, diálogo e dissertação) pode receber diferentes tratamentos de estilo e concepção de texto.


crônica humorística

Quando relata o cotidiano particular ou da sociedade a crônica apresenta o ângulo da comicidade e do humor. Por vezes, a crítica social (seja dos caracterers, seja dos costumes) aparece no tom irônico da representação e da análise, ou na paródia a discursos sociais estabelecidos . Importante e numerosa, as crônicas humorísticas brasileiras obtêm bastante sucesso junto ao público leitor. As crônicas do livro O Melhor das Comédias da Vida Privada (2004), de Luis Fernando Verissimo se enquadram nesta classificação.


crônica lírica ou poética


A marca distintiva é o posicionamento subjetivo do narrador, e por vezes do próprio escritor passa a ser o marco nessa crõnica. A subjetividade se manifesta no modo como a escrita revela seus sentimentos, valores e modo de interpretar a vida. Com frequência a crônica lírica vem com a linguagem figurada, a metáfora e a exploração da sonoridadeda frase são constantes. há também um tom e uma atmosfera nostálgicos e sentimentais que tornam a narrativa sensibilizadora para o leitor. Os motivos para esse tipo de crônica estão na natureza, no ser humano (homem ou mulher, velho, criança), na presença da vida, da morte, do amor e da literatura. E o seutexto pode ser em prosa ou em verso. Exemplos entre muitos "Sobre o amor , desamor..." Rubem Braga"(1998, p.211).


crônica reflexiva

Tipo particular no qual apresenta exclusivamente, sob formato dissertativo, reflexões de ordem filósófica sobre a natureza e a constituição da vida humana. Pode ter origem em algum fato particular, mas logo sobrpõe a ele as ideias e conjecturas a respeito que podem chegar a enfoque metafísico. Carlos Drummond de Andrade escreveu muitas com este tratamento. Exemplo, "Diante do Carnaval", do livro Fala amendoeira (ANDRADE, 1970, p.68-70).


crônica jornalística

No momento, há uma tendencia literária no texto jornalístico. sem perder de vista assuntos e funções do texto tipicamente jornalísticas (informação, opinião, relato) o estilo das reportagens e comentarios ganha uma linguagem figurada, jogos de palavras e recursos típicos do texto literário. A crônica ganha esta roupagem literária mesmo tratando de assuntos como a política, o esporte, a cultura (teatro, cinema, literatura, artes pásticas, folclore, etc.), os crimes, a vida social. É o chamado jornalismo literário (cf.LIMA, 2004).


Dedico esse pequeno estudo à professora Marta Morais da Costa. Visto que a partir desse conteúdo coloco em prática meu aprendizado. Obrigada.



Língua portuguesa última flor do Lácio

Língua potuguesa
Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre cascalhos vela...

Amo-ti assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selva e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso ídioma,
Em que da Voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

sábado, 24 de outubro de 2009

Por que / Por quê / Porque / ou Porquê?

Por que / Por quê / Porque / ou Porquê?

Vejamos:

Por que (separado)
dois empregos diferenciados!!Junção preposição por + pronome interrogativo/indefinido que passa significar por qual razão/motivo?

Por que voce nao vai à aula? (por qual razão)
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)

Na situação que passa a significar pelo qual em gênero e flexão. Ex.:pela(O) /(S) qual (is)?



Por quê
Sempre que vier antes de um sinal de pontuação ?, !, ou seja terá significado por qual motivo/razão.

Vocês não comeram tudo? Por quê?
Andar cinco quilõmetros, por quê? Vamos de carro.


Porque
Conjunção causa/explicativa com valor de pois.

Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)


Porquê
Ele é substantivo tem significado de (o motivo), (a razão). Vem acompanhado de artigo, pronome adjetivo ou numeral.

Diga-me um porquê para nao fazer o que devo. (uma razão)

O porquê de nao estar conversando é porque quero estar concentrada. (motivo)


ESCOLA DO ENSINO FUNDAMENTAL alunos que foram ao jornal e à rádio!! 2009

















O local do estágio curricular do Ensino Fundamental foi nessa escola. A turma do estudo da narrativa que no final trancreveram e passaram a ser autores das Histórias clássicas em HQs são estudantes dessa acolhedora escola . Foram mencionados na postagem anterior àqueles que foram ao jornal e foram chamados a falar na rádio!!



Só para conhecerem um pouco!!

Música da Crase...

CRASE

Musiquinha da crase

Use crase para lembrar dos casos em que não usa a crase

A + masculino crase é pepino
A + ação crase é marcação
A + pronome crase passa fome
A + numeral crase passa mal

gurizada deixa disso ...
vou ensinar pra vocês...


Venho Da? crase há
Venho De? crase para que?